Sitedeliteratura
www.sitedeliteratura.cjb.net
O conceito de Literatura Infantil é bastante discutido
entre os estudiosos do assunto. Há aqueles que defendem que é
o objeto escolhido pelo seu próprio leitor, outros que é
o objeto de formação de um agente transformador da sociedade
e há até aqueles que questionam o fato de existir uma literatura
infantil ou dela ser uma questão de estilo.
Temos abaixo algumas dessas
idéias e também declarações de autores de literatura
infantil para percebemos como essa é uma área conflitosa.
Ver o objeto a partir de vários pontos de vistas pode nos ajudar
a entender melhor e formularmos nosso próprio conceito.
"Literatura Infantil são os
livros que têm a capacidade de provocar a emoção,
o prazer, o entretenimento, a fantasia, a identificação e
o interesse da criançada."
(Leo Cunha)
"A literatura, e em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em transformação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/livro, seja no diálogo leitor/texto estimulado pela escola" (Nelly Novaes Coelho)
"O gênero literatura infantil
tem, a meu ver, a existência duvidosa. Haverá música
infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária
deixa de se constituir alimento para o espírito da criança
ou jovem e se dirige ao espírito adulto? "
(Carlos Drummond de Andrade)
"Se a falta é estrutural,
e se não se vive sem a base fantasmática (o infantil que
se atualiza), não seria possível afirmar que, em toda literatura,
há esse infantil, ainda que menos ou mais encoberto? O infantil
na literatura, que não se confunde, certamente, com a Literatura
Infantil, tampouco com relatos de infância. Na particularidade de
cada novo ato, a criança é quem escreve no adulto. E
ela o faz com estilo - assinatura pontual, estilo portador de sujeito"
(Ana Maria Clark Peres)
"Escrevo porque gosto. Com meus textos,
quero botar para fora algo que não consigo deixar dentro. E escrevo
para criança porque tenho uma certa afinidade de linguagem. Mas
não tenho intenção didática, não quero
transmitir nenhuma mensagem, não sou telegrafista. Acredito que
a função da obra literária é criar um momento
de beleza através da palavra. ... Em momento algum eu acho que a
linguagem deva ser simplificada. Em meus livros não há condescendência,
tatibitate nem barateamento da linguagem. A colocação dos
pronomes é consciente, a regência e a concordância são
rigorosas. As rupturas são intencionais, têm uma função
estilística. Acho essencial dominar uma gramática para domá-la
a partir de uma linguagem nova."
(Ana Maria Machado)
"Escrevo para dizer
o que penso. Quero reclamar de governos autoritários. Quero mostrar
a existência de desigualdade entre o homem e a mulher. Não
fujo muito de temas que, supostamente, não pertencem ao universo
infantil.
Acho que todo mundo é capaz de aprender."
(Ruth Rocha)