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Como já
foi dito, os primeiros livros infantis foram escritos por pedagogos e
professores com o objetivo de estabelecer padrões comportamentais
exigidos pela sociedade burguesia que se estabelecia.
A relação
entre literatura e a escola é forte desde o início até
hoje. Diversos estudiosos defendem o uso do livro em sala de aula, mas
atualmente o objetivo não é transmitir os valores da sociedade
e sim propiciar uma nova visão da realidade.
"... a escola é, hoje, o espaço privilegiado, em
que deverão ser lançadas as bases para a formação
do indivíduo. E, nesse espaço, privilegiamos os estudos
literários, pois, de maneira mais abrangente do que quaisquer
outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção
do real em suas múltiplas significações; a consciência
do eu em relação ao outro; a leitura do mundo em seus vários
níveis e, principalmente, dinamizam o estudo e conhecimento da
língua, da expressão verbal significativa e consciente
- condição sine qua non para a plena realidade do ser."
1
"A literatura infantil torna-se, deste modo, imprescindível. Os professores dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a literatura pois esta se constitui em material indispensável, que aflora a criatividade infantil e desperta as veias artísticas da criança. Nessa faixa etária, os livros de literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de caleidoscópio de sentimentos e emoções que favoreçam a proliferação do gosto pela literatura, enquanto forma de lazer e diversão" 2
Ainda assim podemos ver o sentido pedagógico atribuído à literatura infantil (estimular o exercício da mente, despertar a criatividade...). O que importa, entretanto, é ver que o livro pode ser um objeto para que a criança reflita sua própria condição pessoal (e a imagem projetada nela pelo adulto) e a sociedade em que vive.
Citações
1 - COELHO, Nelly Novaes. Literatura
Infantil: teoria, análise, didática. São
Paulo: Moderna, 2000. (página 16)
2 - PIRES, Diléa Helena de Oliveira. "Livro...Eterno Livro..."
In: Releitura. Belo Horizonte: março de 2000, vol.
14.