"Memória
é biblioteca sem livros"
Novamente
Bartolomeu Campos de Queirós traz suas memórias de infância
para construir uma prosa poética no livro Antes do depois
(Editora Manati). Mas o que seria "prosa poética"?
Uma das definições de prosa é "expressão
natural da linguagem escrita ou falada, sem rimas" e a poética
é a arte de fazer poesia. Sendo assim, a prosa poética
pode ser considerada a união do melhor na literatura (a escrita
do cotidiano numa linguagem narrativa) e ainda por cima de forma poética,
isto é, com um tratamento estético que leva à poesia,
ao sentimento. Explicando de forma menos teórica: a prosa poética
é aquele texto que nos enleva, nos faz extasiar, mexe com nossas
emoções e nos dá um prazer indescritível.
Talvez porque fala das coisas direto ao nosso coração.
e sua fala é delicada, mansa, sussurada.
O
livro é escrito como num fluxo de consciência: o narrador
fala de sua infância desde o nascimento (já que nasce com
57 anos: 23 da mãe e 34 do pai) e a luta pela sobrevivência
até o batizado. O narrador, agora com 118 anos, vai tecendo com
os fios da memória toda a história de uma infância
que "não se lembra, mas não quer esquecer".
Bia
Hetzel fala também de forma poética sobre o livro:
"Na
tinta que manchou (para sempre?) este papel, no silêncio do
livro fechado, no olhar perdido (encontrado?) de alguém que
enxerga para dentro, no caleidoscópio de imagens e sensações
que o autor buscou em sua infância e espalhou por estas páginas
como o pó que brilha no feixe oblíquo de um raio furtivo
de sol, o leitor de mente livre e sentidos aguçados terá
em vários momentos a impressão de ouvir um farfalhar
de asas. Alguns, distraídos, poderão até sentir
como se penas lhes roçassem a pele. É que, depois (ou
antes?) do batizado, somos todos querubins. E, ao ler este livro,
vez por outra atravessaremos a fina casca que nos separa de nós
mesmos."
O
livro é catalogado como literatura infanto-juvenil, no entanto,
a delicadeza do autor com as palavras encanta leitores de qualquer idade.
Leia essa lindeza:
"Lágrima
é feita de água e sal. Isso mostra que existe um mar
morando dentro da gente. Chorar é deixar o mar transbordar..."
(p. 20)
Depois
disso acho que não preciso dizer mais nada sobre o livro, não
é? Boa leitura...
Valéria
de Oliveira Alves - Setembro/2011
Saiba
mais sobre Bartolomeu Campos de Queirós: http://www.caleidoscopio.art.br/bartolomeucamposdequeiros/
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