Carlos Drummond de Andrade

O poeta de sete faces

"Às vezes lírico (Brejo das almas), às vezes participante político (A rosa do povo), outras vezes cerebral (Lições de coisas), o que temos em conjunto são as várias faces do poeta, fazendo alusão ao poema inicial de toda a sua obra, em Alguma Poesia" (BRASIL, p.25)

Assis Brasil, estudioso da obra de Carlos Drummond de Andrade, divide, do ponto de vista estético, o mundo do poeta em 7 faces:

1ª- O coloquial: Drummond procurava a palavra poética nova sem cair no que os modernistas faziam para chocar.

2ª- Novo lirismo: Ligado à primeira face. O poeta busca a "simplicidade do dizer".

3ª- Processo Rítmico: Drummond não usava os valores rítmicos tradicionais. Usava a repetição de palavras, de idéias, o recurso da "palavra-busca-palavra", encadeamento de palavras, ressonâncias fônicas, rimas toantes ou atenuadas.

4ª- Verso livre e metrificação: é um dos escritores modernistas que mais usou o verso livre.

5ª- A rima: na obra de Drummond, a rima é conseqüência do ritmo adotado: subversão à rima tradicional.

6ª- Linearidade e concreção: ao usar versos livres e brancos, aproxima-se da linearidade narrativa. Beneficiou-se com o concretismo: incorpora o visual, fragmenta a sintaxe, monta e desarticula os vocábulos praticando uma linguagem reduzida (BRASIL, p. 32). Essa concreção aparece, principalmente, em seu livro Lição de coisas (1962).

7ª- Dissonâncias e idéias conflitantes: recorre à dissonâncias ou à idéias conflitantes para renovar.

Leia também Poema de sete faces e conheça um pouco mais as faces de Drummond por ele mesmo...

Bibliografia:

BRASIL, Assis. Carlos Drummond de Andrade: ensaio. Rio de Janeiro: Livros do mundo inteiro, 1971.