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CECÍLIA MEIRELES

por Sonia Rodrigues

Cecília Meireles nasceu e morreu na cidade do Rio de Janeiro.

Nasceu em 7 de novembro de 1901, filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e de Matilde Benevides. Seu pai era funcionário do Banco do Brasil e sua mãe, professora municipal. Aos três anos perdeu o pai e passou a ser criada pela avó, Dona Jacinta Garcia Benevides.

A este respeito, refere-se a poetisa: “Essa e outras mortes ocorridas na família... deram-me desde pequenina, uma tal intimidade com a morte, que docemento aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno”... “a noção de transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo de minha personalidade”.

Cecília estudou na Escola Técnica Estácio de Sá, onde recebeu, aos nove anos, o diploma primário das mãos do então diretor Olavo Bilac. Formou-se professora pelo Instituto de Educação, tendo estudado, paralelamente, Inglês e Música

Em 1919 edita seu primeiro livro, Espectros, escrito aos 16 anos.

De 1919 a 1923 participou do grupo de escritores católicos, a chamada ‘corrente espiritualista’, que expunha suas idéias em três revistas: Árvore Nova, Festa e Terra do Sol.

Casou-se em 1922 com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda.

Em 1923 publica Nunca Mais e Poema dos Poemas , este último ilustrado pelo marido.

Em 1925 escreve Balada para El-Rei, e em 1027, seu livro Criança, meu amor é indicado oficialmente como livro de leitura nas escolas.

De 1930 a 1934 dirigiu a página dedicada à educação do Diário de Notícias do Rio de Janeiro. Em 1934 fundou a primeira Biblioteca Infantil Brasileira no Pavilhão Mourisco, no Rio de Janeiro. Este centro foi fechado após breve período de funcionamento por conter a obra As Aventuras de Tom Sawer, considerada ‘obra perigosa’. Sinal dos tempos.

Em 1935 seu marido suicida-se.

Em 1938 recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras por seu livro Viagens, livro que lhe valeu a consagração como escritora. Cecília Meireles assim descreve sua meta de escritora: “Acordar a criatura humana dessa espécie de sonambulismo em que tantos se deixam arrastar. Mostrar-lhes a vida em profundidade. Sem pretensão filosófica de salvação _ mas por uma contemplação poética afetuosa e participante”.

 

Casou-se em 1940 com Heitor Grilo. Neste mesmo ano, a convite do governo norte-americano foi para a Universidade do Texas onde lecionou Literatura e Cultura Brasileira.

Inicia-se um período de intensa produção literária: Vaga Música (1942); Mar Absoluto (1945); Retrato Natural (1949)

Em 1951 secretaria o Primeiro Congresso Nacional do Folclore.

Em viagens ao exterior, apaixona-se pelas coisas do Oriente. Foi à Índia a convite do Primeiro Ministro Neru, para participar de um simpósio sobre a obra de Gandhi. Escreve em 1962 Poemas Escritos na Índia. A Universidade de Nova Delhi concedeu-lhe o título de doutor honoris causis.

O Chile a homenageou concedendo-lhe o grau da Ordem do Mérito.

Outras obras da autora são: Giroflê, Giroflá, Ou Isto ou Aquilo, Olhinhos de Gato, Escolha o seu Sonho, Vozes da Cidade, O Argonauta, 12 noturnos da Holanda, Metal Rosicler, Solombra, Romanciero da Inconfidência.

Em 1958 o reconhecimento editorial de seu valor artístico ocorre por ocasião da publicação de sua Obra Poética.

Em Cecília Meireles o excesso de técnica não prejudica a mensagem poética; ela está empenhada ematingir a perfeição valendo-se de todos os recursos, tradicionais ou modernos. Em Romanceiro da Inconfidência, por exemplo, Cecília faz uma reconstituição bem pessoal e dramática do desenrolar dos fatos da malograda Conspiração Mineira. Nesta obra a palavra romance ganha o sentido de épico pírico. Citemos um trecho:

“Liberdade ainda que tarde, ouve-se em redor da mesa/ E a bandeira já está viva/ e sobe, na noite imensa./ E os seus tristes inventores/ já são réus_ pois se atreveram/ a falar em Liberdade/ (que ninguém sabe o que seja).

Liberdade_ esta palavra/ que o sonho humano alimenta:/ que não há ninguém que explique,/ e ninguém que não entenda!/ E a vizinhança não dorme:/ murmura, imagina, inventa/ Não fica bandeira escrita/ mas fica escrita a sentença.”

Cecília deixou inacabado um poema épico lírico em comemoração do 4° Centenário do Rio de Janeiro, falecendo em 9 de novembro 1964. Para Cecília, criar foi a razão de viver, como ela mesma testemunha em versos como este de “Aceitação”:

“não tenho inveja às cigarras; também vou morrer de cantar”.

 

Bibliografia:

Antologia da Literatura Brasileira – MEC

GOLDSTEIN, Norma Seltzer & BARBOSA, Rita de Cássia. Literatura Comentada. Abril Educação Editora.

MENEZES, Raimundo. Dicionário Literário Brasileiro. Ed. Saraiva, 1969.

TUFANO, Douglas. Estudos de Literatura. Ed. Moderna Brasileira, 1974.

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