Sempre
instigante, o poeta Chacal acaba de lançar
"Belvedere" sua obra reunida com poemas
de 1971 a 2007. É uma obra ímpar de um dos pioneiros
da chamada "geração mimeógrafo" e da
poesia marginal da década de 70. Lançado pelas editoras
CosacNaify e 7Letras, o volume tem capa dura e 384 páginas.
Foram 13 livros publicados ao
longo de 36 anos de carreira poética. Seu primeiro livro "Muito
prazr, Ricardo" foi publicado em 1971 aos 20 anos. O livro "Belvedere"
traz também uma edição fac-símile do livro
"Quampérios", editado originalmente em 1977, e considerado
pelos críticos uma das melhores obras do autor. Hoje, aos 56
anos, Chacal faz parte do cenário da literatura brasileira
com uma poesia original e instigante. Ele diz que detesta poesia cerebral
que não deixa espaço "à leveza do cotidiano
ou à contaminação diária da vida que nutre
a escrita" (Jornal Hoje em Dia, 10/07/07).
O livro foi lançado recentemente
na Festa Literária de Parati (Flip). Chacal participou da mesa
"Uivos" onde conversou com a platéia sobre o ofício
poético. Para ele foi um ótimo momento para discutir
com quem realmente queria dialogar.
Atualmente Chacal desenvolve
o CEP 20.000 desde o final dos anos 80 no Rio de Janeiro. O grupo
troca idéias e agrupa poesia, teatro e música. Segundo
ele, "De lá, saem, saíram e sairão textos
das mais variadas texturas e matizes. Os poemas não são
a principal razão do CEP, embora grandes poemas tenham sido
criados e falados ali. O convívio e a troca de idéias
continuam sendo o sopro desta utopia. A convivência é
sempre o melhor poema" (Jornal Hoje em Dia, 10/07/07).
"Belvedere" é
para Chacal o tipo de livro em que o leitor pode analisar a consistência
ou inconsistência, a evolução ou involução
de um poeta. Com certeza vale a pena ver a pluralidade do poeta através
de poemas que perpessam mais de 3 décadas. Você vai perder?
Valéria
de Oliveira Alves
02.09.07