O Centenário de Pedro Nava
Junho de 2003 é o mês que se comemora o centenário de nascimento de Pedro Nava. Além das famosas reedições do acervo literário do escritor, uma comemoração como essa tem o objetivo de reavivar a importância do escritor na literatura nacional e redefinir seu papel na cultura brasileira.
Apesar de possuir poemas famosos, Pedro Nava é reconhecido pelas suas memórias. Foram 6 volumes publicados entre 1972 e 1983. Em recente reportagem do Jornal Estado de Minas (18/05/03), o Professor Doutor em Letras, José Maria Cançado, fala que Pedro Nava usa a memória como instrumento para dar um modo de presença ao que se foi: "É uma forma de fazer existir aquilo que já foi extinto". Apesar de ter sua obra comparada à de Marcel Proust, Nava escreveu dentro de toda a tradição brasileira de sua época: "Proust fez um verdadeiro kadish, uma oração pelos mortos, de um tempo e de uma aristocracia que se foi com a Primeira Guerra", avalia Cançado.
E se você acha que ler uma obra memorialista, como a de Pedro Nava, é apenas voltar seus olhos para o passado, engana-se: "Não se trata apenas de um livro de memórias, mas de uma reinvenção ficcional do que foi vivido". Além disso, "Nava não faz reminiscência, pelo contrário, é um visionário da memória" esclarece José Maria Cançado, estudioso da obra do escritor.
Por meio das memórias de Nava percebemos a constituição do homem brasileiro com seus sonhos e desejos. O olhar de Pedro Nava é um olhar sobre o passado que vive em cada um de nós.
(Valéria de Oliveira - Junho/03)
Bibliografia utilizada nos textos deste especial:
PAULO, João. Memórias para o futuro. In: Jornal Estado de Minas, 18 de maio de 2003.
NAVA, Pedro. O Bicho Urucutum. Org. de Paulo Penido. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998.
SCLIAR, Moacyr. Pedro Nava expõe lado humano da Medicina. In: Folha de São Paulo, 21 de setembro de 2002.
Sites: www.comartevirtual.com.br/pnava.htm
http://www.secrel.com.br/jpoesia/pna.html
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