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Luís Fernando Veríssimo no Salão do Livro em BH

 
 

Foto : Valéria de Oliveira Alves

Dia 04 de setembro o escritor Luís Fernando Veríssimo falou sobre sua carreira, sua vida e sua relação com a literatura no I Salão do Livro Infantil e Juvenil que aconteceu em Belo Horizonte. A conversa fazia parte das “Memórias Literárias”. Os leitores-fãs que estavam na platéia fizeram perguntas durante uma hora para o escritor que respondeu com atenção todas as questões.

A carreira de Luís Fernando Veríssimo como escritor começou quando ele tinha mais de 30 anos: foi ser cronista no jornal Zero Hora em Porto Alegre. Hoje ele é um dos principais cronistas da literatura brasileira. Para Veríssimo, crônica é “anotações à margem de um noticiário”, isto é, o cronista é aquele que faz um comentário à notícia. O principal atributo da crônica, segundo ele, é que ela seja atraente ao leitor. Um atributo que aparece em todos os seus textos e não só na crônica é o humor. E para ele, “é possível fazer humor politicamente correto sem usar estereótipos.” Sua primeira crônica foi em 1969 sobre a inauguração de um estádio e seu primeiro livro intitulou-se “Popular”: uma coleção de suas primeiras crônicas.

Os leitores perguntaram sobre sua relação com o pai (Érico Veríssimo): sua principal lembrança é vê-lo na sala de jantar datilografando o primeiro volume de “O tempo e o vento”. Na adolescência, lia os livros do pai, mas “Caminhos cruzados” teve que ler escondido, pois tinha “cenas fortes para a época”. Na adolescência, além das obras de seu pai lia os escritores americanos e ingleses, pois nesse período estava nos Estados Unidos. Já suas principais influências da literatura brasileira foram os grandes cronistas como Rubem Braga. Seus autores preferidos atuais são Milton Hatoum, Rubem Fonseca e Moacyr Scliar. Já seu livro preferido é “O grande Gatsby” do americano F. Scott Fitzgerald.

Mas apesar de todo o envolvimento com a literatura, a música foi a primeira paixão da sua vida e começou quando foi para os Estados Unidos. Principalmente o Jazz. Lá aprendeu a tocar saxofone. Tem uma banda chamada Jazz 6 (“o menor sexteto do mundo” com 5 integrantes) e toca onde for convidado. Se tivesse que optar entre música e literatura, escolheria a música.

Perguntado sobre sua relação com Clarice Lispector, Veríssimo contou que conviveu com ela em Washington em 1953 e que sua mãe e ela tinham uma boa relação de amizade. Ele gosta dos contos dela e a considera uma de nossas maiores contistas. Já os romances de Clarice, Veríssimo acha-os “complicados”.

Os leitores lembraram também dos famosos quadrinhos do escritor: As cobras. Durante mais de 30 anos, o escritor desenhou para diversos jornais do país. Resolveu parar de desenhar, porque acha que “não fica bem um homem de mais de 60 anos desenhando cobrinhas”.

Seu próximo livro será um livro de crônicas: “Em algum lugar do paraíso”. Já romances, não há nenhum em vista já que não está escrevendo. Agora é só aguardamos para rir e se divertir mais com esse ótimo escritor.

 

Leia aqui no Sitedeliteratura sobre o último romance que Veríssimo publicou: "Os espiões"

 

Valéria de Oliveira Alves - Set/2011

 

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