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O século de Borges
Livro de Eneida Maria de Souza
Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1999.

Esquema do Cap. 1 - Minha terra tem palmeiras
 
- Borges condensa o momento de partida para a Europa (1914) no destino do poeta brasileiro (Gonçalves Dias), autor dos versos cantados por algum marinheiro no porto carioca, onde estava.
 - Borges retém uma imagem de Brasil que é fruto da memória de sua passagem pelo país, concretizando-se no canto do sabiá.
 - Borges, exilado voluntariamente em Genebra, volta na década de 1920 à Argentina. A sua definição de pátria distingue-se daquela evocada pelo romântico brasileiro por não nutrir o desejo de morrer no país de origem. No final da vida, doente e à espera da “bela morte”, decide voltar à Genebra da juventude.
 - Borges inverte a canção de exílio de Gonçalves Dias ao colocar em xeque o conceito estereotipado de pátria como o lugar onde se nasce. Para ele, a pátria, se existe como identidade, ocupa um espaço imaginário, cujas fronteiras não coincidem com as da nação.
 - A posição cultural e política de Borges lhe valeram muitas críticas. Foi acusado de se alienar dos problemas políticos de seu país, embora ele permanecesse em oposição a seu eterno inimigo Perón, Borges se arrefecia diante dos desmandos da ditadura militar.
 - Durante a guerra das Malvinas em 1982 escreve “Juan López y John Ward”:  amizade de dois soldados desconhecidos, unidos pelo amor à literatura. Responde assim às acusações ao retomar a a metáfora da literatura como mediadora na relação conflituosa entre os povos e como o mais sublime instrumento de comunicação humana.
 - Literatura de Borges:  pode ser lida como uma resposta racionalista à desordem dos fatos percebidos no século XX, desordem igualmente responsável pela quebra de valores da História. Tem a marca da poética moderna: esquecimento dos modelos, a ruptura com a realidade e repúdio ao discurso positivista dos anos 1900.
 - Borges: reforça a imagem da realidade como simulacro e a concepção do discurso histórico como farsa e repetição teatral.

Esquema do cap. 4 - Um estilo, um aleph
 
 - Com a perda gradativa da visão, Borges precisa ditar seus textos para alguém e utiliza o recurso da memória para isso. As vozes comandam os escritos e a oralidade é recuperada em virtude da impossibilidade de o texto se materializar diretamente pela escrita e com a ajuda da visão (direto do pensamento p/ o papel). Memorizar as frases ou os versos para depois ditá-los produz efeitos paradoxais na poética de Borges referentes ora à concisão formal, ora à repetição infinita e sempre diferenciada do fragmento textual.
 - A cegueira permitiu a Borges a conquista de outras formas de percepção da realidade, da substituição do “mundo das aparências”, do mundo visível, pela imaginação sempre ativa, pela escuta da voz alheia que lhe recita os versos. Diante da emergência de criar através da prática cuidadosa da memória, o autor troca, por volta dos anos 1950, a prosa pela poesia, ficando uma década sem escrever contos ou artigos maiores.
 - A retenção pela memória da forma e do ritmo do soneto permite o prolongamento infinito da criação poética, que se mescla à aventura cotidiana e se integra ao movimento metódico e maquinal dos passeios pelas ruas da cidade ou das viagens de metrô. A cidade passa a ser o cenário de Borges.
 - No desejo da união entre arte e vida, estética e cotidiano, reside um dos mais significativos princípios da poética moderna.


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