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BALZAC: A mulher de trinta anos
O escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) é considerado um clássico da literatura universal. Escreveu diversos romances, mas o mais famoso é, sem dúvida, A mulher de trinta anos. Diversos leitores, inclusive, só conhecem essa obra. O termo "idade balzaquiana" tornou-se consagrado e popular não só no Brasil, mas em diversos outros países. Mas apesar dessa abrangência do autor e sua obra, poucos realmente leram o romance. E, infelizmente, a expressão "balzaquiana" já vem se tornando desconhecida entre pessoas dessa idade. Nada melhor do que falar, então, desse livro.
A mulher de trinta anos não foi um romance idealizado de forma integral. Na verdade são seis episódios que a princípio foram publicados como contos separados e com diferentes personagens e só depois reorganizados pelo autor em um só livro com um final bem melodramático.
"O extraordinário renome deste romance não corresponde, no entanto, a seu valor literário, e chega a prejudicar a fortuna literária do romancista. Quem começar a leitura de Balzac por A mulher de trinta anos há de ficar, inevitavelmente, desapontado. (...) Acontecimentos insuficientemente explicados, incompreensíveis modificações de caráter de um capítulo para outro, frequentes contradições no enredo como na psicologia das personagens, tudo isso não contribui para a impressão de uma grande obra..." (Do prefácio de Paulo Ronái)
O que fascina então os leitores nessa obra que sobrevive a tantos anos? "Embora falho como romance, A mulher de trinta anos, sobretudo nos episódios II e III, contém estudos de psicologia feminina de extrema agudeza." (Paulo Ronái) Ao ler o romance, o leitor percebe a sensibilidade com que o autor retrata o amadurecimento da mulher. As ilusões e romantismo que vão se perdendo ao longo do casamento, e, ao mesmo tempo, a certeza de que existe mais do que apenas relacionamentos por obrigação social.
"Nesta precoce análise das mazelas do matrimônio enquanto cerceamento da mulher —"Casada, ela deixa de se pertencer, é a rainha e a escrava do lar" —, Balzac retrata o casamento como pilar da sociedade burguesa (agora pós-revolucionária, "o encanto do amor desapareceu em 1789") na França. Embora intrinsecamente conservador — talvez por isso mesmo —, a imagem que o autor traz da situação de mulheres curvadas sob o peso de suas obrigações sociais e legais é digna de interesse social, histórico e psicológico. Ideologicamente, sabemos que Balzac respaldava o casamento, e esta obra tinha a função de um libelo contra a "leviandade da mulher", dando origem a uma Julie remoída por abissais sentimentos de desejo e culpa, mas o próprio texto e os personagens se encarregam de traí-lo e fica-nos uma forte impressão de que Balzac o denuncia nas entrelinhas em suas estruturas mais fundamentais. Assim, são deliciosas, se não memoráveis, e um tanto inusitadas para a época, as páginas em que Balzac retrata com derrisão o homem casado, tome-se o marido de Julie, o insípido Victor d'Aiglemont, que parece não discernir com muita clareza entre seu cavalo e a mulher." (Do prefácio de Philippe Berthier)
Os clássicos não se constroem enquanto clássico por acaso e esse romance de Balzac nos mostra isso. Apesar de toda crítica à construção da narrativa, há trechos belíssimos que encantam o leitor e nos fazem perceber que a maturidade da mulher é construída com profundidade através dos diversos desafios que enfrenta. Por isso, Balzac até é citado como o precursor do feminismo: "Balzac, em A mulher, foi um precursor do feminismo, ao mostrar Julie, a infeliz heroína, às voltas com problemas fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e com o fracasso do casamento " (http://pt.shvoong.com/books/1789357-mulher-trinta-anos/)
Por tudo isso, corra e leia o romance! Você não irá se arrepender!!!!
Fontes:
RÓNAI, Paulo. Apresentação. In: BALZAC, Honoré de. A mulher de trinta anos. São Paulo: Abril Cultural, 1985.
BERTHIER, Philippe. Prefácio. In: http://www.estacaoliberdade.com.br/releases/mulher30.htm
Saiba mais:
Sobre o autor: http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/balzac.htm
Sobre o livro: http://www.estacaoliberdade.com.br/releases/mulher30.htm
Valéria de Oliveira Alves - Ago/2009.
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