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Dez poetas chineses contemporâneos para os brasileiros
Para os apaixonados por poesia, nada é melhor do que ler poetas de outros países, outras culturas, com outras visões sobre o mundo. A coletânea Um barco remenda o mar - dez poetas chineses contemporâneos pode ser, então, uma aventura fascinante! Essa é a primeira antologia que nos permite ter um olhar sobre como os poetas do Tigre Asiático percebem as mudanças sociais que têm ocorrido no país.
"... a China é um país com inúmeros contrastes culturais, muitos deles surgidos justamente durante a transição de um modelo socialista para uma das mais fortes economias de mercado do planeta. Neste ambiente, a poesia, sempre sorrateira e sutil, pode ser a testemunha ideal desta metamorfose social, política e comportamental, em franco diálogo com o extrato artístico." (CUNHA, 2008)
Os dez poetas são: Bei Dao (candidato ao Nobel), Yan Li, Yu Jian, Gu Cheng, Han dong, Xi Chuan, Lu Weiping, Tian Yuan, Yu Xiang e Yao Feng. O livro é uma organização do brasileiro Régis Boonvicino e desse último poeta, Yao Feng, que é doutor em Literatura Comparada pela universidade de Fundan, de Shangai e é professor no Departamento de Português da Universidade de Macau.
"Mesmo que hoje dialoguem com o Ocidente por meio de 100 milhões de computadores e 350 milhões de telefones celulares, os poetas selecionados para esta mostra preservam em suas feições contemporâneas a cultura milenar chinesa. No entanto, combinam uma nova linguagem poética com a reflexão e a denúncia social numa China pós-revolucionária e de crescimento acelerado." (Release na Submarino)
O livro é uma edição bilíngüe da Editora Martins Fontes que apesar de não ter uma característica comum entre os dez poetas mostra o impacto que o episódio do massacre da Paz Celestial (Pequim, 1989) teve para todos eles:
"Muitos dos poetas aqui reunidos não aguentaram o baque: suicidiram ou se exilaram. Os que permanceram não deixaram de ser influenciados pelo episódio. ... Apesar da força factual desse massacre, essa antologia... não cai na cilada da poesia meramente panfletária e excessivamente calcada em fatores de natureza ideológica..." (CUNHA, 2008)
Por tudo isso é uma antologia imperdível para o leitor brasileiro, pois nada melhor do que perceber uma cultura em transformação através da sensibilidade de seus poetas.
Valéria de Oliveira Alves - Fev/2008.
Bibliografia:
CUNHA, Alécio. Poesia atesta metamorfose chinesa. Jornal Hoje em Dia, 03/02/2008. Caderno Plural, p. 2.
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