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O escritor angolano Luandino Vieira é o ganhador do Prêmio Camões 2006

Vieira nasceu em Portugal, mas é cidadão angolano pela sua participação no movimento de libertação nacional e contribuição no nascimento da República Popular de AngolaO escritor angolano Luandino Vieira ganhou o Prêmio Camões 2006 considerado o mais importante da literatura em português e que entrega 100 mil euros. Ele se torna o terceiro autor africano a receber este prêmio (depois do moçambicano José Craveirinha em 1991 e do angolano Pepetela em 1997). Além dos três escritores africanos, desde 1989, já foram distinguidos oito escritores portugueses (entre eles: Miguel Torga, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, Eugênio de Andrade e Agostiniana Bessa-Luís) e sete brasileiros (dentre eles: João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles, agraciada em 2005).

O prêmio Camões foi criado em 1988 pelos Governos de Portugal e do Brasil para distinguir anualmente um escritor que contribua com sua obra para enriquecer o patrimônio literário na língua portuguesa. O júri desse ano foi constituído pelas autoras portuguesas Agostiniana Bessa-Luís e Paula Morao, os brasileiros Ivan Junqueira e Evanildo Bechara, o moçambicano Francisco Noa e o angolano José Eduardo Agualusa.

José Luandino Vieira, de 71 anos, começou a escrever contos nos anos cinquenta, em Luanda, onde residia. O autor, natural da cidade portuguesa de Vila Nova de Ourém (1935), teve de emigrar para Angola quando era um menino e participou do movimento de libertação nacional da antiga colônia de Portugal. Foi preso em 1959 e 1961 e condenado a 14 anos de prisão por participar de atividades militantes a favor da independência de Angola. Passou oito anos no campo de concentração de Tarrafal, em Cabo Verde, juntamente com outros independentistas angolanos, fundadores do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual foi libertado em 1972.

Nós, os do Makulusu - livro publicado em 2004, mas escrito em 1967 no campo de concentraçãoVieira é autor de romances e relatos curtos, entre os quais destacam-se "Luanda" (1963), "A vida verdadeira de Domingos Xavier" (1974), "Velhas estórias" (1974), "Vidas novas" (1975) e "João Vencio: os seus amores" (1979). A sociedade e os costumes da capital angolana, então sob domínio colonial português, inspiraram a maioria dos seus contos. A coletânea "Luanda" já foi vencedora de prêmio internacional.

Atualmente, o autor prepara o segundo romance de sua trilogia "De rios velhos e guerrilheiros", cuja primeira parte, "O livro dois rios", estará à venda este ano pela Editora Caminho.

 

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