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1 ano do Projeto Terças Poéticas e a
A poesia de Kiko Ferreira
Por Valéria de Oliveira Alves*
Estive no último dia 25 de julho pela primeira vez no Terça-Poética. Não que não quisesse ter participado antes, pelo contrário. O projeto já trouxe aos jardins do Palácio das Artes a poesia de diversos autores contemporâneos e estive várias vezes entusiasmada em ir, mas impedida por causa do trabalho. Foi uma experiência fascinante. O ambiente ao ar livre inspira o público diversificado que marca presença em toda semana.
O projeto nasceu dia cinco de julho de 2005, nos jardins internos do Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, com a presença do poeta Milton César Pontes e homenagem ao Leão de Formosa, o poeta Altino Caixeta de Castro, que teve seus poemas lidos pela atriz Maria Olívia. Foram 21 edições entre cinco de julho e 13 de dezembro de 2005; e 16 edições entre sete de março e a próxima Terça Poética do dia 25 de julho de 2006. No total, são 37 tardes-noites de vida e poesia na experiência do corpo e da voz, leituras, presenças e imagens para todas as idades, sob o signo e as iluminações eternas de Arthur Rimbaud.
Na comemoração de 1 ano, o poeta Kiko Ferreira deu um show. Nascido em 1959 aqui em BH, ele trabalha na área cultural há três décadas. Tem um currículo extenso como crítico de música, produtor de rádio e TV e diretor artístico de várias emissoras. Atualmente é diretor artístico de uma granda rádio da cidada: Rádio Inconfidência. Sua poesia não podia deixar de estar entrelaçada à música, afinal é letrista e parceiro de diversos músicos.
Desde a década de 80, Kiko Ferreira vem lançando livros de poesia, em parcerias com artistas como Fernando Fiúza, Nilson e Luiz Daré. Sua obra começa com Cordiana e caminha com Cio em Setembro, Beijo Noir, Belo Blue e Solo de Kalimba (este teve sua 1ª edição pela Scriptum Livros, Belo Horizonte, MG, 2003 esgotada, mas sua 2ª edição foi relançada no dia com direito a autógrafos).
Kiko Ferreira recitou seus poemas de Solo de Kalimba e o inédito Stet, com as participações especiais de Affonsinho, Gilvan de Oliveira e Sérgio Moreira, que cantaram algumas parcerias com o poeta, como Belo Blue, Cio em Setembro e Elvislike. Além desses músicos, Rafael Anderson apresentou o instrumento musical Kalimba e fez um solo que emocionou a todos.
Além de seus poemas, Kiko homenageou Leonard Cohen. Nascido no Canadá em 21 de setembro de 1934, Leonard teve alguns de seus poemas e letras de canções lidos por Kiko Ferreira e pelos poetas Makely Ka, Sérgio Fantini e Gilberto de Abreu. Cohen é um poeta de obra extensa, contundente e um dos letristas mais respeitados da música pop. Tão importante quanto Bob Dylan, artistas de todas as épocas, de Beatles a R. E. M., de Lou Reed a Kurt Cobhain, foram influenciados pelo poeta de voz grave, que trata de sexo, religião e solidão com densidade e originalidade.
Pra quem não pode ir, que tal um poema de Kiko Ferreira?
POEMA MESMO
mesmo que seja só isso, sorriso
mesmo que a farsa seja fato,
fosfato
mesmo que a vontade
não mais esteja viva, verdade
mesmo que a esmo,
largados os ponteiros
a lesmas, tempo
mesmo que soe sempre
o sumo do mesmo,
memória & fúria
mesmo rigorosamente
a mesma, musa
mesmo ansiosamente
silêncio, músicaKiko Ferreira, Solo de Kalimba, Scriptum Livros, BH, MG, 2003.