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Festa Literária em Parati: homenagem a Jorge Amado e ótimas atrações
Uma "festa literária" aproxima idéias que, tradicionalmente, são vistas como opostas: a extroversão de uma celebração e a interiorização da criação artística. Em sua quarta edição, a Flip consolida-se como o denominador comum possível destes e de outros extremos, reunindo romancistas, poetas, ensaístas e jornalistas na convicção de que invenção e pensamento só se fazem com emoção e, principalmente, misturando-se intensamente com a vida de todos e de cada um.
Jorge Amado (1912-2001), homenageado este ano, foi a perfeita tradução desta visão de mundo. Escritor sem pompa, militante convicto, observador atento do país em que viveu por 88 anos e que completaria 94 anos no dia da mesa-redonda em sua homenagem, mergulhou sua literatura no mundo a ponto de dissolver os limites entre um e outro.
Os dias que correm, de parcas certezas e ideais confusos, são, é claro, muito diferentes do tempo do escritor baiano. E é justamente na tentativa de dar conta desta complexidade que os 37 autores convidados -- representando 9 estados brasileiros e 11 nacionalidades: Angola, Argentina, Brasil, França, Grã-Bretanha, México, Peru, Palestina, Paquistão, Portugal e Estados Unidos -- levam às 19 mesas-redondas da programação da Tenda dos Autores estilos, gêneros e questões dos mais diversos. Nascidos em épocas, países e culturas diferentes, eles são os porta-vozes das muitas maneiras de criar, amar, lutar e fantasiar.
Entre o autor estreante, que inicia agora uma vida literária, e o Prêmio Nobel, reconhecimento máximo desta arte, há um universo de surpresas, provocações, polêmicas, lirismo e emoção. Foi assim nas edições anteriores da Flip e sempre será enquanto persistir a convicção de que uma vez por ano é preciso deixar de lado a urgência do cotidiano para mergulhar numa outra, igualmente fundamental: a de ver a vida com outros olhos, pensar com outra cabeça, encontrar valores plurais.
As conversas, debates e palestras, detalhadas a seguir, duram quatro dias. O que nelas é falado, espera-se, deve durar muito mais e muito além das fronteiras da belíssima cidade erguida na costa do Rio de Janeiro no século XVII. Pois, como sabem todos aqueles que freqüentam Parati há três anos e os tantos outros que a descobrirão em 2006, não há calendários ou mapas que contenham a vibração de uma festa.
O programa educativo nas escolas da região, o programa infantil e juvenil, carinhosamente conhecido como FLIPINHA, a oficina Literária que este ano se dedica ao jornalismo e a intensa programação OFF FLIP sobre as quais você também vai ler a seguir, atestam a continuidade de um evento que representa um marco do calendário cultural do país.
A seguir, a programação completa e sinopses das mesas:
Quarta-feira - 9 de agosto
- 21:30h - Show de abertura - Maria Bethânia ( Tenda da Matriz )
Quinta-feira - 10 de agosto
- 10h – Mesa 1: Invenções do Interior com Maria Valéria Rezende, Juliano Garcia Pessanha e André Laurentino
- 11h45 – Mesa 2: Vozes em Verso com Carlito Azevedo, Marcos Siscar e Astrid Cabral
- 15h – Mesa 3: Homenagem a Jorge Amado com Antonio Risério, Eduardo de Assis Duarte e Myriam Fraga
- 17h-Mesa 4: De onde vêm as palavras com David Toscana e Mario de Carvalho
- 19h – Mesa 5: Palavras da rua com Benjamin Zephaniah
Sexta-feira - 11 de agosto
- 10h – Mesa 6: Prosa, política e história com Assis Brasil, Alonso Cueto e Olivier Rolin
- 11h45 – Mesa 7: As matérias do romance com Ignácio Loyola Brandão, Carlos Heitor Cony e Miguel Sanchez Neto
- 15h – Mesa 8: Literatura e Política (Conferência Zé Kléber) - Tariq Ali
- 17h – Mesa 9: Profissão Repórter: a arte da reportagem com Lillian Ross e Alma Guillermoprieto
- 19h – Mesa 10: A arte de narrar com Toni Morison
Sábado - 12 de agosto
- 10h – Mesa 11: Do amor e outros demônios com Reinaldo Moraes, Lourenço Mutarelli e André Sant´Anna
- 12h – Mesa 12: Muitas vozes com Mourid Barghouti e Ferreira Gullar
- 15h – mesa 13: Profissão repórter: na linha de frente com Christopher Hitchens e Fernando Gabeira
- 17h – Mesa 14: O último leitor com Ricardo Piglia
- 19h – Mesa 15: Nas fronteiras da narrativa com Jonathan Safran Foer Ali Smith
Domingo - 13 de agosto
- 11h – Mesa 16: Bagagem com Adélia Prado
- 15h – Mesa 17: Experiências com Edmund White e Nicole Krauss
- 16h45 – Mesa 18: África, Áfricas com Uzodinma Iweala e Ondjaki
- 18h30 – Mesa 19: Livros de cabeceira com Ali Smith, Antonio Risério, BenjaminZephaniah, Carlos Heitor Cony, David Toscana, Edmund White, Jonathan S. Foer e Mário de Carvalho
LIVROS A SEREM LANÇADOS NA FLIP 2006
Por Acaso, de Ali Smith - Companhia das Letras
A Hora Azul, de Alonso Cueto - Objetiva
Gangsta Rap, de Benjamin Zephaniah - Companhia das Letras
Amor, Pobreza e Guerra –de Christopher Hitchens - Ediouro
Santa Maria do Circo, de David Toscana - Casa da Palavra
Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer - Rocco
Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mario de Carvalho - Companhia das Letras
Tigre de Papel, de Oliver Rolin – Cosac Naify
Bom Dia Camaradas, de Ondjaki - Ediouro
O Último Leitor, de Ricardo Piglia - Companhia das Letras
A nova face do império (Ediouro ) e Sultão em Palermo (Record), de Tariq Ali
Feras de Lugar Nenhum; de Uzodinma Iweala - Nova Fronteira.
A Altura e a Largura do Nada (Jaboticaba) e Segredo da Nuvem (Global), Ignácio de Loyola Brandão
Modo de apanhar pássaros à mão, de Maria Valéria Rezende - Objetiva
O Roubo do Silêncio, de Marcos Siscar, 7 Letras
RELANÇAMENTOS
Ferreira Gullar; Edição Comemorativa 30 anos, CD com Gullar lendo Poema Sujo, José Olympio
Vida Doida, Adélia Prado - Alegoria
PROGRAMAÇÃO: SINOPSES DAS MESAS
Quarta-feira, 9 de agosto
21h30 - Show de abertura
Maria Bethânia
A FLIP 2006 abre em grande estilo, trazendo um dos maiores ícones da música brasileira. Dona de um timbre extraordinário, ao longo de mais de quarenta anos, Bethânia reinventou clássicos da música nacional e criou outros. Com estilo próprio e uma forte presença no palco, onde combina elementos da música, da literatura e do teatro, o show de Bethânia na FLIP não deixa de ser uma breve demonstração de sua trajetória artística e da união indissolúvel entre texto e canto. E por que não dizer que a Bahia de Bethânia vai encontrar em Parati a Bahia de Jorge Amado?
Quinta-feira, 10 de agosto
10h - Mesa 1 - Invenções do interior
Maria Valéria Rezende, André Laurentino, Juliano Garcia Pessanha
“Interior” é geografia, mas também subjetividade. Um lugar no mapa ou o fundo do homem. É entre esses interiores e seus conflitos que nasceram, física e literariamente, escritores tão distintos quanto os reunidos nesta mesa. Maria Valéria Rezende encena em O vôo da guará vermelha as esperanças e desejos de dois personagens que, vindos do interior, encontram-se na cidade grande, cenário da busca metafísica de Juliano Garcia Pessanha em livros como Ignorância do sempre. A paixão de Amâncio Amaro, estréia literária de André Laurentino, se passa no sertão pernambucano, mas é em outros interiores que circulam seus delicados personagens.
11h45 - Mesa 2 - Vozes em verso
Astrid Cabral, Carlito Azevedo, Marcos Siscar
Este encontro de três premiados poetas de dicção tão própria é uma boa oportunidade para se conhecer a diversidade da lírica brasileira contemporânea. A Amazônia de Astrid Cabral (De déu em déu, 1998, Rasos d’água, 2003) é uma presença forte em sua obra, que se distingue pelo olhar crítico sobre o cotidiano, o tom coloquial e a indagação metafísica. São esses traços também marcantes no trabalho de Carlito Azevedo (Collapsus Linguae, 1991, Sublunar, 2001) e de Marcos Siscar (O roubo do silêncio, 2006), cujas poesias procuram estar à altura do fervilhamento da vida e de seus múltiplos estranhamentos.
15h - Mesa 3 - Homenagem a Jorge Amado
Myriam Fraga, Antonio Risério, Eduardo de Assis Duarte
Para homenagear Jorge Amado (1912-2001), autor de clássicos inesquecíveis como Gabriela, cravo e canela e Dona Flor e seus dois maridos, e que estaria completando 94 anos neste dia, três intelectuais discutem seu legado literário. O antropólogo e poeta Antonio Risério, autor de Uma história da cidade da Bahia, é um grande conhecedor da cultura da cidade que Jorge Amado adotou como sua — Salvador. Eduardo de Assis Duarte é autor de Jorge Amado: romance em tempo de utopia. Escritora e biógrafa, Myriam Fraga é diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador.
17h- Mesa 4 - De onde vêm as palavras
David Toscana, Mário de Carvalho
“De onde surgiu a idéia para seu livro?” é a pergunta com que os escritores mais se deparam. Mário de Carvalho, um dos mais importantes romancistas portugueses da atualidade, falará sobre a inspiração que deu origem a alguns de seus trabalhos mais significativos. A seu lado estará David Toscana, principal nome da nova geração de escritores mexicanos. Entre os livros publicados por Mário de Carvalho, destacam-se o romance histórico Um deus passeando pela brisa da tarde e a sátira política Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto. Os títulos de David Toscana já lançados no Brasil são O último leitor e Santa Maria do Circo.
19h - Mesa 5 - Palavras da rua
Benjamin Zephaniah
Poeta rastafári, dj de reggae, dramaturgo, romancista, vegetariano convicto e mestre de kung-fu — Benjamin Zephaniah expressa suas idéias de maneira clara e direta, destacando-se no mundo literário britânico. Superou as dificuldades de crescer em meio à discriminação racial de seu país e levou a experiência das ruas a livros de poesia como Too black, too strong e City psalms, além de romances como Refugee boy e Gangsta rap. Poeta premiado e leitor performático, Zephaniah ergue uma voz enérgica e solitária em defesa dos pobres e marginalizados da Grã-Bretanha, e compartilhará conosco um pouco do seu trabalho.
Sexta-feira, 11 de agosto
10h - Mesa 6 - Prosa, política e história
Alonso Cueto, Luiz Antonio de Assis Brasil, Olivier Rolin
A boa literatura é um espelho que reflete nossas experiências individuais e coletivas. Três autores que utilizaram a ficção para recriar eventos históricos e atuais discutem o papel da literatura na compreensão da política e da história, tanto no passado como no presente. A margem imóvel do rio é um dos romances históricos de Assis Brasil em que, nas palavras de um crítico, “ao invés de sair do Brasil o autor entra nele como em uma geografia misteriosa”. Alonso Cueto é o autor de Grandes miradas e A hora azul, relatos perturbadores do Peru contemporâneo. Entre os romances de Olivier Rolin, que se baseiam em memórias da França nos anos 60, se encontram Porto Sudão e Tigre de papel.
11h45 - Mesa 7 - As matérias do romance
Carlos Heitor Cony, Ignácio de Loyola Brandão, Miguel Sanches Neto
Três escritores de gerações diferentes, cada um com seu estilo singular, encontram-se para ler e conversar sobre os caminhos de sua criação literária. A ficção de Carlos Heitor Cony (Pilatos, Quase-Memória) flerta com o memorialismo mas vai muito além dele, pois os temas que aborda vao do mais intimista e subjetivo ao político e histórico. A obra de Loyola se consolidou durante o regime militar, a que faz alusão numa prosa descarnada e fragmentária de Zero e Não haverá país nenhum, romances marcados por um realismo feroz e violento, reflexos também da brutalidade da vida brasileira. Em outro tom, mais memorialístico e compassado é o relato A veia bailarina. Na obra de Miguel Sanches Neto (Chove sobre a minha infância, Venho de um país obscuro) predomina a relação entre invenção e registro autobiográfico, trabalhada com lirismo.
15h - Mesa 8 - Conferência Zé Kleber: literatura e política
Tariq Ali
Mais uma vez a FLIP homenageia Zé Kleber (1932-1989), querido poeta, ator, músico, cineasta e político de Parati. Na palestra deste ano, o romancista e ensaísta Tariq Ali, principal intelectual de esquerda da Grã-Bretanha e editor da revista New Left Review, abordará a complexa relação entre as esferas literária e política. Qual seria a função da literatura, já considerada um veículo de mudança política e social nos dias de hoje? Até que ponto a política se reflete na ficção? Os trabalhos de não-ficção mais recentes de Tariq Ali são Confronto de fundamentalismos e Bush na Babilônia. As novas faces do império será lançado na FLIP.
17h - Mesa 9 - Profissão repórter: a arte da reportagem
Alma Guillermoprieto, Lillian Ross
O primeiro evento deste ano dedicado à arte da reportagem contará com duas grandes jornalistas, que expressarão seus pontos de vista sobre o papel do repórter envolvido com grandes eventos, instituições e personagens de nossa época. Os livros da jornalista mexicana Alma Guillermoprieto incluem Samba e Dancing with Cuba. Ela conversará com Lillian Ross, referência lendária do jornalismo narrativo e baluarte da revista norte-americana The New Yorker, que escreveu clássicos como Reporting e Filme.
19h - Mesa 10 - A arte de narrar
Toni Morrison
Nenhum outro romancista retratou a realidade dos negros norte-americanos com tanta força e sensibilidade quanto Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 1993. Na entrega do prêmio, a Academia Sueca louvou a “força visionária e o significado poético” de seus romances, que trazem à luz um aspecto essencial da formação dos Estados Unidos. Nesta ocasião notável, a autora de Amor, Os cânticos de Salomão e Amada — escolhido recentemente como a melhor obra norte-americana de ficção dos últimos 25 anos — discorre sobre a literatura e sua capacidade inigualável e duradoura de informar, entreter, enriquecer e iluminar.
Sábado, 12 de agosto
10h - Mesa 11 - Do amor e outros demônios
André Sant’anna, Lourenço Mutarelli, Reinaldo Moraes
Amor, sexo, escatologia. Erotismo e humilhação. Desbunde e melancolia. Narradores anônimos, míopes ou fragmentários. A prosa dos escritores Reinaldo Moraes (Tanto faz, Umidade), André Sant’anna (Amor, O paraíso é bem bacana) e do premiado cartunista Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo, O natimorto) se desenvolve num fluxo ora caudaloso, ora taquigráfico, expondo a superficialidade, a violência, os impasses e os paradoxos das relações humanas.
11h45 - Mesa 12 - Muitas vozes
Ferreira Gullar, Mourid Barghouti
Histórias sobre o exílio e o regresso sempre acompanharam a humanidade. Este painel reúne dois poetas extraordinários que souberam fazer da experiência do tempo passado, do banimento e do risco da perda das raízes matéria viva do poema. Há trinta anos, Ferreira Gullar escrevia no exílio o Poema sujo, uma reflexão vigorosa e penetrante sobre a infância, a perda e a saudade. Mourid Barghouti viveu três décadas distante de sua terra, a Palestina, antes de finalmente retornar. Em Eu vi Ramallah, o autor narra as memórias de seu retorno de modo lírico e comovente.
15h - Mesa 13 - Profissão repórter: na linha de frente
Christopher Hitchens, Fernando Gabeira
Uma linha tênue separa a palavra impressa e o engajamento na obra de dois proeminentes jornalistas, que se encontram para falar da motivação incessante para relatar fatos e defender esse direito. Uma das figuras mais polêmicas da Grã-Bretanha, e eleito um dos cinco maiores intelectuais da atualidade, Christopher Hitchens (Amor, pobreza e guerra) é famoso por rejeitar idéias pré-concebidas para atingir o cerne das questões que nos afetam nos tempos de hoje. No mesmo patamar está o escritor e político brasileiro Fernando Gabeira (O que é isso companheiro?), conhecido tanto por sua militância como por suas reportagens.
17h - Mesa 14 - O último leitor
Ricardo Piglia
A crítica literária pode ser uma forma de autobiografia? O escritor argentino Ricardo Piglia propõe essa questão em suas notáveis reflexões sobre as grandes obras da literatura. “Escrever ficção muda a maneira como lemos, e a crítica que um escritor escreve é o espelho secreto de sua obra”, diz Piglia em Formas breves. Neste evento excepcional, um dos mais respeitados romancistas e críticos literários da Argentina, autor de Respiração artificial e O último leitor, avalia em que medida “o crítico encontra a sua vida no interior dos textos que lê”.
19h - Mesa 15 - Nas fronteiras da narrativa
Ali Smith, Jonathan Safran Foer
Para cada crítico que lamenta o estado do romance moderno surge um romancista capaz de demonstrar as infinitas possibilidades de renovação desse gênero literário. Dois dos mais criativos autores da literatura em língua inglesa lêem seus trabalhos e mostram como o futuro do romance depende da disposição dos autores para afrontar suas fronteiras formais. O livro de estréia de Jonathan Safran Foer, Tudo se ilumina, e sua continuação, Extremamente alto, incrivelmente perto, desafiam as convenções da ficção contemporânea. Em romances como Hotel World e o premiado Por acaso, Ali Smith explora os limites da narrativa literária.
Domingo, 13 de agosto
11h - Mesa 16 - Bagagem
Adélia Prado
Arte, ciência, filosofia e religião nascem da nossa busca por respostas a perguntas fundamentais relacionadas à gratuidade de nossa existência. Porém, argumenta Adélia Prado, somente a arte e o misticismo, que ultrapassam a razão e nos tocam onde realmente interessa, as emoções, dão um acesso abrangente à vivência humana. Felicidade e tristeza resultam do ato de sentir emoções, não de entendê-las. São os afetos que movem, comovem. Essa é a bagagem que carregamos e sobre a qual falará uma das mais proeminentes poetisas brasileiras.
15h - Mesa 17 - Experiências
Nicole Krauss, Edmund White
Como a experiência individual se reflete na literatura? Onde termina a memória e começa a imaginação? Dois escritores norte-americanos que exploram seus passados na criação de ricos trabalhos ficcionais e autobiográficos examinam os efeitos das experiências pessoais que viveram sobre sua escrita. A nova-iorquina Nicole Krauss é autora dos romances Man walks into a room e A história do amor, ambos muito elogiados pela crítica. Edmund White, que escreveu romances semi-autobiográficos como Um jovem americano e O homem casado, publicou uma biografia de Jean Genet e, mais recentemente, um livro de memórias, My lives.
16h30 - Mesa 18 - África, Áfricas
Ondjaki, Uzodinma Iweala
Para aqueles que conhecem a África somente por meio da mídia, a região parece ser pouco mais que uma sucessão de crises. Dois jovens escritores nos ajudam a conhecer melhor a realidade de países destruídos pela guerra, em romances que mostram a face humana do continente. O nigeriano-americano Uzodinma Iweala é o autor de uma narrativa admirável sobre uma criança-soldado, Feras de lugar nenhum, um estudo sobre as maneiras como o conflito armado aniquila a inocência. Em livros como Bom dia camaradas e Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki explora com lirismo as memórias da infância em uma Angola pós-guerra civil.
18h15 - Mesa 19 - Livros de cabeceira
Ali Smith, Antonio Risério, Benjamin Zephaniah, Carlos Heitor Cony, David Toscana, Edmund White, Jonathan Safran Foer, Mário de Carvalho
No encerramento da quarta edição da FLIP, trazemos mais uma vez um banquete com o melhor da literatura. Os autores convidados compartilham com o público seus livros prediletos, livros lidos e relidos, companhias inseparáveis. Termina a FLIP 2006. Começa a de 2007.
HOMENAGEM A JORGE AMADO
Em suas edições anteriores, a Festa Literária Internacional de Parati prestrou tributo a Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Em 2006, reiterando o seu compromisso de mostrar a riqueza da literatura brasileira, a FLIP homenageia Jorge Amado (1912-2001).
Jorge Amado, o mais popular dos escritores brasileiros, é também o mais conhecido e lido no exterior. Sua obra transcendeu os limites do regionalismo modernista a que foi identificada num primeiro momento, para fazer da Bahia um microcosmo do país, em sua combinação de costumes tradicionais, humor popular, sincretismo religioso, sensualidade e crítica social. Nas palavras de Ferreira Gullar, muitos das personagens de Amado incorporaram-se ao imaginário de gentes de todos os povos e países: elas nos ensinam o Brasil.
Para reiterar a relação afetiva de Jorge Amado com a Bahia, a FLIP convidou outra baiana ilustre: Maria Bethânia. Na confluência de seus mundos estão a Bahia, o Brasil.
Na Tenda dos Autores, no dia em que o escritor completaria 94 anos, uma mesa-redonda com Myriam Fraga, Antonio Risério e Eduardo de Assis Duarte será dedicada a discutir os caminhos da prosa generosa de Jorge Amado.
O universo de Jorge Amado também envolveu os professores e alunos que participam durante todo o ano do Programa Educativo Cirandas de Parati. A programação infantil e juvenil que acontece na Tenda Azul, carinhosamente conhecida como FLIPINHA, também fará várias homenagens ao escritor.
OFICINA FLIP
O compromisso da FLIP em apresentar o melhor da literatura não se restringe ao melhor da ficção. Em todas as edições da Festa, críticos, ensaístas e jornalistas têm sido tão importantes para o debate de idéias como os romancistas, poetas e contistas. Para enfatizar a importância da escrita factual, a FLIP 2006 terá uma programação especial para celebrar a arte da reportagem.
A fusão de reportagem investigativa e procedimentos literários remonta a Balzac. Mas foram escritores como Truman Capote, Tom Wolfe e Lillian Ross que nos anos 1950 elevaram o jornalismo ao patamar da literatura de ficção, no que se convencionou chamar new journalism. Consagrado por revistas como The New Yorker, o novo estilo ancora-se na experiência pessoal e na subjetividade do autor, combinando a qualidade da escrita com a precisão da reportagem, numa fórmula que permanece como referência para os que se aventuram no gênero.
Em parceria com a revista Piauí, a FLIP convidou três dos maiores nomes do jornalismo narrativo para conversar com o público durante a programação que acontece na Tenda dos Autores. E convidou também o jornalista Silvio Ferraz, colaborador do site NoMinimo e do jornal O Globo, e professor e presidente no Instituto de Jornalismo da UniverCidade, no Rio de Janeiro, para conduzir uma oficina para 40 aspirantes a jornalistas ou jovens profissionais do jornalismo.
Apoiado em sua experiência como correspondente internacional do Jornal do Brasil, de editor de economia de Veja e analista de assuntos internacionais do jornal O Globo, Silvio Ferraz vai transformar uma sala de aula numa verdadeira redação, onde, durante três dias, estudantes de jornalismo vão aperfeiçoar sua capacidade de narrar e sua habilidade jornalística. Ao final da oficina, um júri escolherá seis participantes para um estágio de dois meses na revista Piauí.
PROGRAMAÇÃO INFANTIL E JUVENIL
Autores convidados de 2006 que participarão da Flipinha
Eduardo de Assis Duarte, Myriam Fraga, Ignácio de Loyola Brandão, Reinaldo Moraes, Adélia Prado, Ana Maria Machado, Ferreira Gullar.
Autores e ilustradores convidados
Heloísa Prieto, May Shuravel, Rui de Oliveira, Cláudio Martins, Thaís Linhares
Kátia Canton, Ieda de Oliveira, Anna Cláudia Ramos, Gustavo Bernardo.
Destaque: O que é qualidade em literatura Infantil e Juvenil? Com a palavra o escritor. Participação de Ieda de Oliveira.
BIBLIOTECA ABERTA
Durante os cinco dias da FLIP, escritores, editores e o público em geral podem contribuir com a doação de livros para o Acervo Carlos Calchi, organizado pela Associação Casa Azul. No final da Festa, as obras doadas serão destinadas à Biblioteca Municipal Fábio Villaboim, sob a guarda do Instituto Histórico e Artístico de Parati (IHAP), ambos localizados ao lado da Igreja de Santa Rita, na antiga cadeia da cidade. O acervo foi batizado de “Carlos Calchi” em homenagem ao idealizador do projeto, o diretor teatral Carlos Alberto Formaglio Oliveira, que morreu em 2003.
PROGRAMAÇÂO PARALELA
Além do extenso programa de palestras e debates literários da FLIP 2006, como nas edições anteriores a Festa conta com uma programação de shows de alto nível. Durante a FLIP 2006, o Café Paraty terá uma programação especial de música ao vivo em ambiente descontraído. Na Tenda Azul, Gozo Yoshimazu fará uma leitura performática com a participação especial de Marilya Corbot.
Café Paraty
[Rua do Comércio, 253 – Centro Histórico]
10 de agosto, às 23h, show instrumental brasileiro com Renato Anesi, Marquinho Mendonça e acompanhantes. Couvert artístico: R$ 30
11 de agosto, às 23h, show de MPB, com Marcos Valle (teclado) e Patrícia Alvi (voz). Couvert artístico: R$ 30
12 de agosto, às 23h, show de Yamandú Costa (violão). Couvert artístico: R$ 30
13 de agosto, às 21h30, show de bossa nova com Andréa Gorgati (voz e violão). Couvert artístico: R$ 10
Tenda Azul (Praça da Matriz)
11 de agosto, às 22h, Leitura Performática com Gozo Yoshimazu e participação especial de Marilya Corbot. Grátis
OFF FLIP
O circuito alternativo de Parati se integra à programação da FLIP 2006. Assim é a OFF FLIP: um circuito paralelo de idéias difunde a cultura paratiense com atrações especiais.
Este ano, os destaques da OFF FLIP são a programação do Silo Cultural José Kleber (com as manifestações da cultura regional da Rede Caiçara de Cultura), a primeira edição do Prêmio OFF FLIP de Literatura e os diversos shows e espetáculos que acontecem na cidade.
Duas exposições de fotografia marcam a abertura oficial da OFF FLIP: Beleza Afro Brasileira, de Giancarlo Mecarelli, fotógrafo ítalo-brasileiro residente em Parati, e Engenho de Paraty, de Masao Goto Filho, editor de fotografia do Jornal do Comércio de São Paulo.
Na FLIP 2006, será entregue o I Prêmio OFF FLIP. A cada ano o prêmio será dedicado a um gênero literário. Em 2006,o gênero escolhido foi poesia, e o tema dos poemas foi a Terra. O prêmio tem abrangência nacional e reserva uma categoria local para autores nascidos ou residentes em Parati. Concorrem ao prêmio autores brasileiros, residentes no Brasil e no exterior. Uma comissão formada por escritores de expressão nacional escolhe os vencedores. Os poemas inscritos na categoria local têm seleção de um júri composto de nomes do cenário artístico-cultural de Paraty. O resultado será anunciado no dia 12 de agosto na Villas de Paraty Pousada, às 20h30.
A Rede Caiçara de Cultura terá muitas atrações: uma mostra do artesanato produzido na região, a palestra de Antonio Carlos Diegues (professor da USP) sobre cultura caiçara, apresentação de manifestações musicais e dança típica, como o Jongo de Angra, o Cateretê e a Folia de Reis de Parati, o Banto de Caraguatatuba e Boi de Conchas de Ubatuba e um ciclo de documentários sobre a cultura caiçara, entre outros atrativos.
A OFF FLIP terá uma noite de declamação de textos. A Tribuna da OFF acontece no dia 10 de agosto, das 19h às 22h30, num tradicional bar do centro histórico.
O show Paraty, bar e boemia - três décadas, três bares, três irmãos acontece nos bares Valhacouto, Cana Verde e Sancho Pança, e traz Aldo Cruz (voz e violão), Vicente Cruz (voz), Maria Leny (voz) e Pedro Bosi (percussão). O grupo apresenta músicas e poesias de José Kleber e outros autores da MPB.
Em concerto é o título do espetáculo de bonecos apresentado pelo Grupo Contadores de Estórias, que este ano completa 35 anos. A peça fica em cartaz no Teatro Espaço, no Centro Histórico.
O projeto Paraty das Letras propõe encontros entre autores nacionais e locais para a troca de experiências e discussão sobre políticas públicas de incentivo à leitura e à literatura.
Para saber mais detalhes sobre a programação e inscrever-se nas atividades acesse o site: www.offflip2006.paraty.com
Serviço:
Os ingressos serão vendidos pela TicketMaster:
Início: 12 de julho
valores: R$17,00 (no local); R$20,00 (online); R$5,00 (Tenda da Matriz); R$17,00 (show)
Internet
TELEVENDAS
São Paulo: 6846 6000
Outros estados: 0300 7896846 (ligação tarifada em R$ 0,30
o minuto para telefone fixo e R$ 0,77 o minuto para celular).
De segunda a sábado, das 9h às 21h
PONTO-DE-VENDA EM PARATI
Paraty Tours (24) 3371 1327