O BAR DO BETO - BELTIQUIM CULTURAL
& ELFOS MOTOCLUBE: Antecipam
a celebração dos 10 anos sem Plínio Marcos e
50 anos da primeira montagem de "Barrela", com uma leitura
dramática do texto "Dois Perdidos numa noite suja"
no dia 18 de agosto.
Em novembro de
2009, completam-se 10 anos sem Plínio Marcos e 50 anos da primeira
montagem de "Barrela", que teve uma única apresentação
em Santos no dia 1º de novembro de 1959, depois disso permaneceu
por 21 anos censurada. Para relembrar Plínio e suas histórias
pela quebradas do mundaréu, estamos organizando leituras mensais
de seus textos, iniciando em agosto com "Dois Perdidos numa noite
suja". Ao final deste release imagem da 1ª versão
para o cinema.
O texto é inspirado no
conto O terror de Roma do escritor italiano Alberto Moravia. Dois
personagens - Paco e Tonho - dividem um quarto numa hospedaria barata
e durante o dia trabalham de carregadores no mercado. Todas as cenas
se passam no quarto durante as noites. As personagens discutem sobre
suas vidas, trabalho e perspectivas, mantendo uma relação
conflituosa. O tema da marginalidade permeia todo o texto. Tonho se
lamenta constantemente por não possuir um par de sapatos decente,
fato ao qual atribui sua condição de pobreza. Ele inveja
Paco que possui um bom par de sapatos e este, por sua vez, vive a
provocar Tonho chamando-o de homossexual ao mesmo tempo em que o considera
como um parceiro. Paco, que já havia trabalhado como flautista,
certa noite teve sua flauta roubada quando estava muito embriagado,
entorpecido. No final, na tentativa de melhorar suas vidas, ambos
são compelidos à realização de um ato
que modificará radicalmente suas vidas.
Escrita no ano de 1966, "Dois Perdidos numa noite
suja" foi apresentada pela primeira vez no Bar Ponto de Encontro,
que ficava no subsolo da Galeria Metrópole no centro de São
Paulo. Esta primeira apresentação teve uma pequena platéia,
entre eles Roberto Freire, Walderez de Barros e Alberto D´Aversa.
A peça já foi adaptada para o cinema duas vezes, sendo
a primeira no ano de 1970, sob a direção de Braz Chediak
e a mais recente no ano de 2002, sob a direção de José
Joffily. É uma das peças mais famosas de Plínio
Marcos, tendo sido montada inúmeras vezes tanto no Brasil como
em outros países.
Texto: Plínio Marcos / Direção:
Cristina Barbanti / Elenco: Beto Carioca e Evandro Lima
Produção: Edson Lima / O Autor na Praça
Data: 18 de agosto de
2009, Terça-feira, Horário: 20h
Entrada Franca: 30 lugares - 70 min.
Local: Bar do Beto - Beltiquim Cultural
Rua Coronel Ferreira Leal, 98 - Jardim Bonfiglioli
- Butantã
(1ª Travessa a esquerda da Av. Eng. Heitor A.
Eiras Garcia, no seu início, junto a Av. Corifeu de A. Marques)
Apoio: Revista Palco, Voz do Brasil e ELFOS MC
Sobre Plínio Marcos (www.pliniomarcos.com)
Plínio Marcos de Barros nasceu em Santos (SP)
em 29 de setembro de 1935. Filho de família modesta, não
gostava de estudar e terminou apenas o curso primário. Foi
funileiro, sonhou ser jogador futebol, serviu na Aeronáutica
e chegou a jogar na Portuguesa Santista, mas foram as incursões
ao mundo do circo, desde os 16 anos, que definiram seus caminhos.
Aos 19 anos já fazia o palhaço Frajola e pequenos papéis
como ator em diversas companhias circenses e de teatro de variedades.
Atuou em rádio e também na televisão local em
Santos.
Em 1958, conhece a jornalista e escritora modernista
Pagu - Patrícia Galvão. Ela e seu marido Geraldo Ferraz,
também jornalista e escritor, abririam os horizontes intelectuais
dos jovens atores envolvidos no movimento de teatro amador de Santos,
inclusive Plínio, apresentando-lhes textos de dramaturgia moderna.
Nesse mesmo ano, impressionado pelo caso verídico
de um jovem currado na cadeia, escreve BARRELA, cuja carreira seria
premonitória da vida profissional do autor: por sua linguagem,
ela permaneceria proibida durante 21 anos.
Em 1960, com 25 anos, está em São Paulo,
atuando inicialmente como camelô. Logo estaria trabalhando em
teatro, como ator, administrador, faz-tudo em grupos como o Arena,
a companhia de Cacilda Becker, o teatro de Nídia Lycia. Desde
1963, produz textos para a TV de Vanguarda, programa da TV Tupi, na
qual também atua como técnico. No ano do golpe militar,
1964, faz o roteiro do show NOSSA GENTE, NOSSA MÚSICA. Em 1965,
consegue encenar REPORTAGEM DE UM TEMPO MAU, colagem de textos de
vários autores, que fica um dia em cartaz.
Sob o signo da Censura, Plínio Marcos viverá
até os anos 80, sem fazer concessões, sendo intensamente
produtivo e sempre norteado pela cultura popular. DOIS PERDIDOS NUMA
NOITE SUJA (1966), NAVALHA NA CARNE (1967), O ABAJUR LILÁS
(1969) são sistematicamente perseguidos. Ele luta pela expressão
com peças musicais como BALBINA DE IANSÃ (1970) e NOEL
ROSA, O POETA DA VILA E SEUS AMORES (1977).
Escreve nos jornais Última Hora, Diário
da Noite, Guaru News, Folha de S. Paulo (cadernos ?Folhetim? e ?Folha
Ilustrada?) e Folha da Tarde e também na revista Veja, além
de colaborar com diversas publicações, como Opinião,
Pasquim, Versus, Placar e outras. Em forma de livro, publica suas
peças, os contos de HISTÓRIAS DAS QUEBRADAS DO MUNDARÉU
(1973) e o romance QUERÔ, UMA REPORTAGEM MALDITA (1976), depois
adaptado para o teatro. O argumento original de A RAINHA DIABA (1974)
consegue chegar às telas.
Depois do fim da Censura, Plínio volta a impressionar
com o romance NA BARRA DO CATIMBÓ (1984), peças como
MADAME BLAVATSKY (1985), textos de teatro infantil, a noveleta e depois
peça O ASSASSINATO DO ANÃO DO CARALHO GRANDE (1995).
Paralelamente, cresce sua presença como palestrante em várias
cidades do país: ele chega a fazer 150 palestras-shows por
ano, vestindo negro, com um bastão encimado por uma cruz e
a aura mística de leitor de tarô ? espécie de
nova ?personagem de si mesmo?, como fora antes a imagem do palhaço.
Traduzido, publicado e encenado em francês,
espanhol, inglês e alemão; estudado em teses de sociolingüística,
semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia
em universidades do Brasil e do exterior; Plínio Marcos recebeu
os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou
em teatro, cinema, televisão e literatura, como ator, diretor,
escritor e dramaturgo.
Desde sua morte aos 64 anos em
São Paulo, em 19 de novembro de 1999, as homenagens ao autor
e o interesse em torno de sua obra só fizeram crescer, alcançando
suas parcerias musicais com alguns dos mais importantes nomes do samba
paulista, bem como novas montagens e filmagens de seus textos. Ao
mesmo tempo, seu nome foi adotado para batizar prêmios e espaços
culturais pelo país afora - inclusive o Teatro Nacional Plínio
Marcos, de Brasília.