Carlos Eduardo Novaes
(Prefácio do livro A
cadeira do dentista e outras crônicas. Coleção
"Para Gostar de Ler" – Volume 15 – São Paulo, Editora Ática,
1995.)
São
25 crônicas que virão a seguir, escolhidas e selecionadas,
como frutas para exportação, na plantação de
textos do meu latifúndio literário (24 livros).
O pomar
da literatura, vocês sabem, é composto de diferentes espécies:
a poesia, que, pela sua delicadeza, compara à uva; o romance, que,
pela sua densidade, me lembra uma jaca (não dá para comer
toda de uma vez e se presta muito para fazer doces e filmes); o conto, que,
para ter qualidade, precisa ser redondo como uma lima; a novela, que, a meio
caminho entre o conto e o romance, poderia ser um melão; e a crônica,
que, pela variedade e popularidade, equivale à laranja.
O conto
e a crônica, como se vê, são parecidos e às vezes
até confundidos sob um olhar apressado. O conto, como a lima, tem
a casca mais fina e pode ser mais agradável a um paladar delicado.
A crônica, casca mais grossa, não requer tantos cuidados para
frutificar. Cresce até em publicações periódicas,
como jornais e revistas, mas nem por isso seu valor nutritivo é menor:
contém todas as vitaminas necessárias à formação
de um leitor.
As crônicas,
como as laranjas, podem ser doces ou azedas; consumidas em gomos ou pedaços,
na poltrona de casa, ou virar suco, espremidas nas salas de aula.