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Auto da Compadecida - Ariano Suassuna
Por Valérie Roberto
O que é Auto?
Auto: segundo o dicionário de Silveira Bueno, auto é solenidade inquisitória em que apareciam os penitenciados, aplicando-se as penas.É um típico teatro religioso, com o simples objetivo de catequizar os menos esclarecidos, usando costumes, linguagem e acontecimentos da região onde ele será apresentado. Usado no Brasil pelo Padre Anchieta para catequização dos índios.
Mas no caso de Ariano Suassuna, Auto serve como formato para explorar o regionalismo brasileiro e suas características.
Interessante a colocação do Professor Alex Soares de Almeida no seu Sumulex sobre Auto da Compadecida: "A palavra Auto, no sentido de teatro popular, cuja a ribalta é a rua ou praça pública,(...) não é precedida de artigo(...)." Leia todo o "sumulex". Vale a pena, já que as provas incluem perguntas sobre os autores.
Ariano Suassuna se inspira em Gil Vicente, autor do Quinhentismo Português, conhecido por seus textos críticos à sociedade da época e com versos de duplo sentido.
Auto da Compadecida tem como características da Literatura Contemporânea:
- estilo diferenciado: uma união entre o regionalismo e o modelo medieval.
- experimentação da forma: não é um romance, mas sim uma peça de teatro.
- cotidiano: temas atuais como, adultério, cobiça, crueldade sádica
- reflexões metafísicas: julgamento, inferno, céu, purgatório, moralidade católica
O principal personagem é João Grilo. Ele participa de todos os acontecimentos do auto e é o principal responsável por eles. É o personagem típico do Nordeste: amarelo, analfabeto e sabido.Outros personagens:
Chicó: companheiro inseparável de João, mas pouco confia nas suas artimanhas. Medroso e sem convicção.Padre João, Bispo e Sacristão: são a representação do clero indigno, e da cobiça, representada no testamento do cachorro.
Antonio Morais: representa o coronelismo, a autoridade que advém do poder econômico, o subjulgamento dos que podem menos, como os pobres e os sarcedotes.
Padeiro e sua mulher: o padeiro é a exploração do homem pelo homem, a mulher, o adultério.
Severino de Aracajú e o Cangaceiro: representam o matar por matar (sadismo) e são importantes para o desfecho da história. Através dos seus atos, se tem a segunda parte da peça, o julgamento e a ressurreição.
Encourado e o Demônio: fazem o papel de promotores. Esperam receber as almas como um pagamento.
Manuel: representa a justiça, é negro justamente para despertar descriminação e preconceito. Analisa os pecados e seus pecadores.
Compadecida: é a advogada e a representação da misericórdia. Nossa Senhora.
Uma vantagem de Auto da Compadecida frente às outras obras do vestibular é o fato de ser peça teatral e ter um texto leve e divertido.
Mas para que ler o livro se tem minissérie e filme prontos? E ainda com a aprovação do próprio escritor? Porque quando lemos, conseguimos enxergar nas entrelinhas o pensamento e a essência do autor. Na leitura, refinamos nosso vocabulário e usamos nossa imaginação. Somente com a leitura do texto, podemos conhecer exatamente o que pensa o autor.Por exemplo, você que apenas assistiu ao filme, sabia da existência do personagem Palhaço? Ele é o elo de ligação entre os atos do Auto e muitas vezes explica as intenções do autor. Para adaptação ao cinema este personagem foi excluído.
Uma sugestão para deixar a Leitura mais agradável: chame um grupo de amigos e façam uma leitura encenada da peça. O texto ganha agilidade independente de ser um Paulo Autran ou um Zé das Couves encenando. No mínimo, vocês terão alguns momentos de descontração durante os estudos. É mais fácil fixar dados sobre uma obra quando nos divertimos.
Valérie Roberto é formada em Fisioterapia e
atualmente vestibulanda de Letras.
Escreve compulsivamente o blog Sessenta e Cinco
http://sessentaecinco.blogspot.com
Contatos pelo e-mail: fazendoblog@yahoo.com.br